Prof. Carlos Augusto Soares – 5º Dan

Dir. Técnico do K.C.P

Karate X Artrose

Faixa Preta TRanparente fundo

 

Karate x Artrose

 

Venho aqui iniciar um profundo estudo sobre a relação da artrose (Desgaste ou deformações das articulações), neste caso em particular, as lombares e coxo-femural dos praticantes desse esporte. Muito me surpreendeu o grande numero de atletas de longa prática com essa patologia.

“A artrose é um processo degenerativo de desgaste da cartilagem, que afeta sobre tudo as articulações que suportam peso ou as que fazem movimentos em excesso, como por exemplo as cadeiras, os joelhos ou os pés”, Esta doença vincula-se ao envelhecimento das articulações, ligado ao passar do tempo. Inicia-se, em geral, a partir dos 40 ou 45 anos. Porém, também pode aparecer de forma precoce como conseqüência de traumatismos ou problemas congênitos que afetem a articulação.

Quando iniciei o Karate, em 1978, o esporte era para poucos. Era voltado pra pessoas que tinham grande espírito de luta, e uma boa abertura de pernas (grande abdução e amplitude articular)uma condição básica naquela época. A falta de protetores bucais e de mão ajudava a ocorrer também vários acidentes, além de ter poucos Educadores Físicos faixas pretas naquela época, fazendo dos treinos quase que um exercício de sobrevivência do exército.

Com o tempo foi se mudando essa idéia, e hoje vemos ser aplicados em várias faixas etárias, desde infantil (dos quatro anos em diante), até o idoso, se for bem planejado por um profissional de educação física, é claro.

Eu mesmo tenho artrose nas regiões citadas (coxo-femural e lombar), devido á vários exercícios errados e reprováveis hoje. É muito importante que o princípio da sobrecarga seja visto, não deixando atletas (ou alunos) irem além do que o corpo deles podem. Muitas vezes em treino, carreguei (cavalinho) atletas muito mais pesados do que eu pra executar mae-geri andando, para fortalecer as pernas. Isso se agravou mais ainda por não ser praticado na época no chão duro, assim como também forçaram muitas vezes minha abertura estando á frio.

Para evitar que nossos alunos sofram com esse mal, devemos ter algumas precauções como:

  • ATESTADO MÉDICO

É totalmente reprovável executar qualquer atividade física, sem antes de uma liberação médica pra ‘”prática de esporte”, só então depois dessa liberação, ou restrições dadas pelo mesmo, é que podemos trabalhar o aluno. Por LEI, é obrigatório todas as academias requererem o ATESTADO MÉDICO. Após isso então, estaremos em condições de prescrever melhor intensidade e volumes nos treinos para esse aluno.

  • AQUECIMENTO

Um bom aquecimento não deve ser confundido com alongamento. Apesar de alongarmos no aquecimento, não se devem forçar as articulações ainda frias, não só as fibras musculares estão pouco vascularizadas (favorecendo câimbras, estiramentos e etc.), como á SINÓVIA ainda não está bem espalhada nas articulações (articulações sinoviais), favorecendo que as cartilagens se toquem sem uma devida lubrificação, favorecendo o atrito entre elas, e assim seu desgaste, ocorrendo assim, a artrose. A produção da sinóvia e sua distribuição na articulação deve-se ser feitas com movimentos articulares lentos e progressivos, para que a articulação possa se preparar pro trabalho á ser executado. Depois que essa patologia se instalar, só o médico poderá lhe ajudar, ou receitando remédios para aumentar a Sinóvia, ou colocar uma prótese. É bom lembrar que não existe ainda nada comprovado cientificamente que regenere as cartilagens, digo isso por experiência própria. O termo ALONGAMENTO já uso mais nos finais de aula, quando o corpo já está bem aquecido e preparado, mas mesmo assim temos que respeitar INDIVIDUALIDADE orgânica de cada um, certas pessoas não são flexíveis, e não é do dia pra noite que elas ficarão elásticas, deve-se ter uma evolução progressiva, e mesmo assim, perceber quando chegou sua limitação física. A cavidade acetabular no quadril pode-se localizar alguns centímetros para parte distal ou proximal, além da concavidade poder ser muito ou pouco acentuado, refletindo diretamente na sua abertura de pernas (abdução de perna).

  • TATAMES

Com a evolução do esporte e seguir o rigor da integridade física dos atletas pelo COI, os tatames foram incrementados na nossa prática, fazendo o esporte que era considerado de ALTO impacto, passarem para médio impacto. Favoreceu também que nas quedas (Ashi-barai) fosse menos dolorosas na queda e ocorrer menos lesões, favorecendo á micro lesões nas articulações (cotovelo), que no futuro, deformavam a cápsula articular. Os riscos com a queda da cabeça também são muito preocupantes, além de fraturas e lesões de diversos tipos. Tomar cuidado com fendas e encaixes mal colocados para que o pé não se prenda durante um giro e outras manobras do esporte.

  • CHUTES

É importante também ver se durante os chutes o aluno cai muito pesado com o pé, esse impacto gera uma forte vibração muito nociva á região lombar. Observar se o aluno cai com as pontas dos pés primeiro (Osso cuneiforme médio), e não com o calcanhar depois do chute. Isso irá favorecer á evitar dores no calcanhar (podendo se refletir ao calcanhar e joelho), e riscos de dores lombares com as repetições, uma futura artrose pode formar-se, como dores fortíssimas na região do calcanhar (Osso Calcâneo).

  • DICIONÁRIO:

Região Lombar ► à porção da coluna vertebral que fica entre a região torácica e a região sacrococcigiana. Compreende as vértebras L1 á L5. É a região que mais receber carga.

REGIÃO LOMBAR

* Líquido Sinovial ► (fluido sinovial ou sinóvia) é um líquido transparente e viscoso das cavidades articulares e bainhas dos tendões, encontradas nas articulações sinoviais, como joelho, a coxofemoral, a articulação temporomandibular (que une o crânio e a mandíbula), o ombro, cotovelo e tornozelos. É segregado pelas membranas sinoviais.

* Coxo-femural ►Nome dado á articulação da cabeça do fêmur com a cavidade acetabular do quadril. O ângulo entre o eixo do colo femoral e o corpo do fêmur normal é 125 graus. Um ângulo patologicamente maior é chamado de coxa valga e um ângulo patologicamente menor coxa vara.

COXO FEMURAL

  • Artigo escrito:

Prof.º Carlos Augusto Soares 5º Dan

Diretor Técnico do K.C.P

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