Prof. Carlos Augusto Soares – 5º Dan

Dir. Técnico do K.C.P

A Aula de Karate

Faixa Preta TRanparente fundo

 

A Aula de Karate

Desmembramento do KARATE CIENTÍFICO

Uma aula de Karate – aprendendo a lutar

     Uma aula de Karatê clássica tem geralmente 3 elementos: um primeiro momento de ginástica de aquecimento com o propósito de preparar o corpo para a atividade prevenindo lesões, um segundo momento de treinamento das técnicas básicas do Karatê através da repetição de certos movimentos isolados ou combinados (Kihon e Kata) e por fim o treinamento das técnicas de combate (Kumite)ou aplicação dos movimentos anteriormentes ensaiados propriamente ditas.

            A ginástica da aula de Karatê não tem por objetivo trabalhar a questão do condicionamento físico e a força, podendo fazer isto mas não havendo obrigatoriedade neste sentido, mas tem necessariamente, que preparar o aparelho cardiovascular e músculo esquelético para os esforços que virão a seguir, ou seja, deve ser progressiva e sempre possuir exercícios de alongamento de todos os músculos. A maioria dos professores inclui neste momento ou durante a aula, exercícios de força de abdômen e membros superiores.    O segundo momento é a alma do aprendizado do Karatê mesmo pois é quando o iniciante aprenderá os movimentos, o aluno mais graduado poderá aprimorá-lo e quando se trabalha a resistência física específica do Karatê.

            Existem variantes infinitas de tipos treinamentos propósitos a se alcançar aqui, mas a maioria dos professores trabalha umas poucas técnicas por aula preferindo a qualidade das técnicas à quantidade das técnicas, mas enfrentam um problema grande pois a mentalidade das pessoas formadas numa sociedade de consumo gosta de variedade para “descansar a cabeça” e o sacrifício de exercício de mente vazia (mushin) nem lhes passa pela cabeça, que apesar dos movimentos repetitivos serem necessários para o excelente condicionamento, se tornam muito monótonos para a maioria dospraticantes, deixando as aulas serem estimulantes para eles.

            O terceiro momento da aula é quando se aprende a lutar, ou se aplica os movimentos ensaiados anteriormente, mas engana-se quem pensa que se luta logo na primeira aula. O Karatê não é uma arte marcial fácil, embora seja simples. Ele exige empenho e dedicação para ser eficiente em seus propósitos e se lutasse bem logo na primeira aula, certamente ninguém enfrentaria 5 anos  para conseguir o reconhecimento de faixa preta diante de uma banca examinadora séria.

            Inicia-se aprendendo a dar socos e mirar e acertar num alvo segundo uma trajetória excelente (soco reto) isto em pé diante do adversário. Neste momento fica claro que a pancada dada com maldade pode resultar em outra no sentido contrário e surge o respeito pelo reconhecimento da própria fragilidade. Passa-se a aplicar golpes pré-determinados em deslocamento em linha reta para se aprender a noção da coordenação em deslocamento, a técnica de se aplicar um golpe com força e equilíbrio e o tempo correto de se aplicar a defesa (principalmente) e o contra ataque: é o Gohon-kumite e o Sambom-Kumite. Dominada esta etapa, vem o treinamento de defesas com esquivas onde se aprende a ficar mais ousado (porque se ficou mais rápido e com uma melhor noção de tempo de combate) e se esperar até o último segundo antes de se desviar dos golpes do adversário obtendo-se assim o efeito surpresa e a possibilidade de atacar pontos vitais antes difíceis de acertar no contra-ataque pela própria posição do adversário e a própria: é O Ippon-Kumite.     Então se inicia o treinamento de simulações de combate com base livre onde um adversário fala que golpe vai ser feito e tenta penetrar a guarda do outro que deverá conter o medo que o faz querer afastar-se e esperar o ataque para defender-se e contra-atacar. Quem ataca vai desenvolver, aqui, a velocidade de ataque (não a finta) e quem defende vai desenvolver confiança em si mesmo (coragem) para esperar e poder fazer o melhor contra-ataque.É o Jiyu-Ippon- Kumite.     Pode-se paralelamente a este treinamento, iniciar os treinamento de tempo de combate, iniciando pelo mais simples, que é o GO-NO-SEN, onde o propósito é o contra-ataque.     Neste treinamento, quem ataca vai definir qual ataque vai fazer e o adversário tentará defender e contra-atacar. Não necessariamente os golpes devem ser golpes de deslocamento como Oizuki ou mae-gueri, que são os adotados no Jiyu-Ippon-Kumite, certamente para forçar tanto o que ataca (pela dificuldade de aplicar estes golpes, principalmente quando o adversário sabe que serão eles os aplicados) como quem defende, antes, geralmente se fazem golpes que se usam mais em combate tipo kizami-zuki e guiaku-zuki.     Dominada esta técnica, pode-se treinar as técnicas de SEN-NO-SEN e TAI-NO-SEN, mas a discussão delas será assunto de outro texto.     À parte disto pode-se ensinar os alunos a “brincar de Karatê” no SHIAI-KUMITE que é o combate por pontos segundo determinadas regras, excelente motivação para os alunos mas perigoso quando não há amadurecimento adequado no aluno sobre o real significado dele.     Nos momentos finais, antes da meditação (MOKUSO) pode o professor fazer alguns comentários sobre a aula e a vida e então faz-se a formação para o encerramento.

OSS

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